Governo quer liberar até 40% do ensino médio a distância

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Proposta em discussão reduz para 60% a exigência de presença do aluno do ensino médio em sala de aula
Proposta em discussão reduz para 60% a exigência de presença do aluno do ensino médio em sala de aula

O governo de Michel Temer quer liberar até 40% da carga horária do ensino médio e até 100% da jornada da educação de jovens e adultos para ser realizada a distância. A mudança está prevista em resolução que atualiza as Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino Médio, à qual a Folha de S.Paulo teve acesso. O texto já teve uma primeira discussão no Conselho Nacional de Educação (CNE).

Ensino Médio

Se as novas regras forem de fato implementadas, os alunos do ensino médio poderão ter até dois dias de aulas por semana fora da escola. A proposta causa polêmica e discussão. Para os que defendem a medida, o ensino online permite a experimentação de novos recursos na educação. Já os críticos temem pela piora da precarização do ensino nas redes públicas, que concentram 88% das matrículas da etapa.

Segundo a Folha, o Brasil tem 6,9 milhões de matrículas no ensino médio público. Em torno de 1,5 milhão dos jovens de 15 a 17 anos (14,6% do total) já abandonaram os estudos.

O aval para até 40% da carga a distância abriria margem também para atender situações de falta de professores, ressalta a reportagem. A minuta das novas diretrizes curriculares foi apresentada no CNE no dia 6 pelo presidente do conselho, Eduardo Deschamps, e pelo diretor do Senai, Rafael Lucchesi, relator da proposta.

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“Na minha opinião, não estamos falando de ensino fundamental, mas do médio. Se não criarmos mecanismos, vamos continuar com problemas de atendimento e perder oportunidades de uso”, disse Deschamps à Folha.

Cesar Callegari, também integrante do Conselho Nacional de Educação, critica a adoção da medida e cobra uma discussão aprofundada sobre o assunto com docentes e estudantes. “Recursos a distância devem servir como complemento, jamais em substituição de professores e da escola como local de vivência presencial”.

fonte: congressoemfoco.uol.com.br