Conheça Katie Bouman, a cientista responsável pela imagem do buraco negro

Katie Bouman

O assunto mais popular nas rodas de conversa nesta quarta-feira (10) é a imagem real do buraco negro no universo, uma descoberta feita pelo telescópio Event Horizon.

Entre os 200 pesquisadores responsáveis pela descoberta, um nome chama a atenção: o de Katie Bouman. A cientista, de 29 anos, foi quem liderou a criação de um algoritmo que permitiu aos demais estudiosos capturarem a imagem do buraco negro pela primeira vez. No Facebook, ela compartilhou a felicidade com a descoberta.

“Observando, incrédula, a primeira imagem que eu já fiz de um buraco negro enquanto estava em processo de reconstrução”.

Para conseguir armazenar a imagem, que reservaram um total de 5 petabytes de informação —que equivalem a 5 milênios de músicas MP3 tocando ou selfies tiradas por 40 mil pessoas ao longo de toda a vida—, foi preciso uma “pilha de discos rígidos de dados de imagem”, manuseada por Katie, que os abraçou para essa foto, no mínimo, icônica:

O MIT, uma das instituições de tecnologia mais respeitas do mundo, comparou a criação de Katie Bouman à pesquisa que permitiu aos astronautas pousarem na lua, colocando sua imagem ao lado de Margaret Hamilton, que recebeu o crédito por ter escrito o código de software crucial que permitiu à Nasa tornar possível uma missão à Lua.

Os estudos feitos pela jovem começaram em 2016, quando começou a liderar o desenvolvimento do algoritmo enquanto cursava engenharia elétrica e ciência da computação. Em 2017, ela conquistou o doutorado, último e mais alto título acadêmico recebido por um indivíduo, na área.

Em entrevista ao MIT News, Katie Bouman explicou que tentar tirar uma foto de um buraco negro é comparável a “fotografar uma laranja na lua, mas com um radiotelescópio. Imaginar algo tão pequeno significa que precisaríamos de um telescópio com 10 mil quilômetros de diâmetro, o que não é prático, porque o diâmetro da Terra não chega a 13 mil quilômetros”.

Para contornar este desafio, o algoritmo de Katie Bouman não depende de um único telescópio. Em vez disso, reúne dados de radiotelescópios em todo o mundo.

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Atualmente, Katie Bouman está lecionando na Universidade de Tecnologia da Califórnia, em Pasadena. Seu foco de pesquisa é “projetar sistemas que integram fortemente algoritmo e design de sensor, tornando possível observar fenômenos anteriormente difíceis ou impossíveis de medir com abordagens tradicionais”.

Conheça 5 curiosidades fatos sobre a cientista Kate Bouman:

Ela liderou mais de 200 cientistas

Katie Bouman era uma estudante de pós-graduação no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês) em 2016 quando surgiu com a fórmula para o algoritmo. Ela tinha, então, 27 anos (nasceu em 9 de maio de 1989). De lá para cá, uma grande equipe intitulada “Event Horizon Telescope Collaboration” — espécie de força-tarefa de astrônomos — vem tentando fazer a fotografia a partir da aplicação do algoritmo, que ajudou a conceber novos métodos de imagem.

O sucesso veio na quarta-feira, quando esse algoritmo levou à imagem de um buraco negro supermassivo no centro da galáxia M87.

— Nenhum de nós poderia ter feito isso sozinho — disse Katie à “CNN”. — Eu gostaria de encorajar todos vocês a saírem e ajudarem a ultrapassar os limites da ciência, mesmo que a princípio pareça tão misterioso para você quanto um buraco negro.

Kate Bouman tem sido comparada à mulher que possibilitou levar o homem à Lua

Cinquenta anos separam essas duas mulheres. Em 1969, o homem foi à Lua graças, em última instância, a um código de software crucial que permitiu à Nasa fazer uma missão rumo ao nosso satélite natural. Esse código foi escrito por Margaret Hamilton, também uma jovem cientista do MIT.

Corta para 2019. A imagem inédita do buraco negro — considerada por muitos o feito do século —, possível graças ao trabalho de Katie Bouman, fez com que ela fosse comparada a Margaret Hamilton por várias pessoas.

Aliás, o próprio MIT compartilhou em sua conta oficial no Twitter a foto de Katie Bouman “com pilhas de discos rígidos de dados de imagem de buracos negros”, lado a lado com uma foto de Margaret “com o código que ela escreveu, que ajudou a colocar o homem na Lua”.

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Não há dúvidas de que a renomada universidade ficou de fato muito orgulhosa. O Laboratório de Ciência da Computação e Inteligência Artificial do MIT também compartilhou a foto acima no Twitter, mostrando o buraco negro junto de uma imagem de Katie.

Em 2016, quando trabalhava com uma equipe desse mesmo laboratório e com o Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, ela afirmou ao “MIT News”:

— Um buraco negro é muito, muito distante e muito compacto. .. (Tirar uma foto de um buraco negro no centro da Via Láctea é) equivalente a tirar uma imagem de uma laranja na Lua, mas com um radiotelescópio. Imaginar algo tão pequeno significa que precisaríamos de um telescópio com 10 mil quilômetros de diâmetro, o que não é prático, porque mesmo o diâmetro da Terra não chega a 13 mil quilômetros.

Assim que viu a imagem, ela publicou uma selfie ‘incrédula’

Na manhã de quarta-feira, Katie atualizou sua foto de perfil no Facebook: o novo clique mostrava a cientista com as mãos na boca, mal escondendo um sorriso, e com a imagem inédita do buraco negro na tela do computador.

Ela escreveu na legenda: “Observando, incrédula, enquanto a primeira imagem que eu já fiz de um buraco negro estava em processo de reconstrução”. A foto de Katie já soma mais de 33 mil compartilhamentos, 22 horas depois de postada.

O pai de Katie Bouman, Charles Bouman, professor de engenharia da Universidade Purdue, disse ao “Journal & Courier” que sua filha contou à família que um grande anúncio seria divulgado na quarta-feira, mas sem fornecer detalhes.

— Ela não tinha permissão para nos dizer exatamente o que era, apesar de acharmos que deveria ser a primeira imagem (de buraco negro). Ela manteve tudo em segredo, até mesmo de seus pais — disse ele, orgulhoso, pouco depois que a foto foi revelada.

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Charles afirmou que foi emocionante para ele, como pai e pesquisador, porque sua filha uniu um grupo grande de pessoas “em trabalho interdisciplinar, o que é extremamente desafiador”.

Em uma entrevista à “Nature Video”, a cientista afirmou que essa primeira imagem do buraco negro “é apenas o começo”:

— Este é apenas o começo. Os buracos negros podem nos dizer muito sobre nossas leis da física.

Ela já fez um Ted Talk sobre ‘como fotografar um buraco negro’

A cientista desenvolveu o algoritmo e começou a trabalhar na “força-tarefa” para tirar uma foto do fenômeno enquanto fazia pós-graduação em Engenharia Elétrica e Ciências da Computação no MIT. Ela contou com a ajuda do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian e com o Observatório MIT Haystack para finalizar a fórmula.

Em novembro de 2016, Katie Bouman fez uma palestra Ted Talk no TedxBeaconStreet sobre seu trabalho, intitulado “Como fotografar um buraco negro”. Você pode vê-la falar abaixo:

Ela dá aulas na prestigiada Caltech

Katie fez graduação na Universidade de Michigan, concluindo em 2011 o curso de Engenharia Elétrica. Depois, foi para Cambridge, Massachusetts, onde obteve no MIT um mestrado em Engenharia Elétrica e Ciências da Computação em 2013. Continuou estudando na instituição para obter um doutorado, em 2017.

Desde então, ela é professora — além de fazer pós-doutorado. Katie Bouman aceitou o convite para ser professora associada no departamento de Computação e Ciências Matemáticas do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), em Pasadena, também nos EUA.

Seu foco de pesquisa é descrito no site da Caltech como “projetar sistemas que integram fortemente algoritmo e design de sensor, tornando possível observar fenômenos anteriormente difíceis ou impossíveis de medir com abordagens tradicionais”.

Veja a primeira foto de um buraco negro

Imagem divulgada nessa quarta (10) mostra buraco negro ao centro da galáxia M87 (AFP/European Southern Observatory)

A espetacular divulgação da primeira imagem de um buraco negro pela equipe que opera o Telescópio Horizonte de Eventos nesta quarta (10) lança luz, com o perdão da contradição em termos, sobre um subgênero muito atrativo da ficção científica.

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