Saiba tudo sobre como se tornar Diplomata

Você já imaginou como é trabalhar na diplomacia brasileira, ou pensou em seguir carreira nessa área?

A carreira no Itamaraty, órgão governamental conhecido também como o Ministério das Relações Exteriores, atrai milhares de brasileiros todos os anos. Em um só exame do Instituto Rio Branco, que seleciona brasileiros para o cargo de diplomata, por exemplo, há uma média de 5 mil candidatos.

Os números lembram a concorrência dos programas de trainee mais tradicionais, porém existe muita coisa específica nessa carreira, do próprio processo seletivo à atuação nos primeiros anos. Mesmo no mundo dos cargos públicos, a função do diplomata é repleta de particularidades.

Ao mesmo tempo, sua razão de ser – a condução das relações internacionais entre o Brasil e as outras nações – é um dos pilares do modelo de sociedade que buscamos construir: conectada, capaz de colaborar e cooperar para manter a paz e promover avanços nas mais diversas áreas, da
economia aos direitos humanos.

Afinal, o que faz um diplomata?

Ainda que os feitos históricos devam ser mencionados, muito do trabalho do diplomata pode ter a ver com funções mais burocráticas e reuniões. Na prática, o profissional exerce a função de representar o Brasil perante outros países, além de fortalecer os laços com órgãos governamentais e outros parceiros.

Outra parte importante das atividades tem a ver com a assistência aos brasileiros que moram no local. Em outras palavras, um diplomata pode ajudar a promover o comércio exterior brasileiro e divulgar a cultura brasileira em outro país.

Também pode ajudar na organização das eleições para a comunidade brasileira no exterior, ou mesmo desempenhar papéis administrativos no Itamaraty, em Brasília. Todas essas atividades entram no rol do que é possível fazer sendo diplomata.

Qual o perfil ideal de um diplomata?

Muito além de uma formação nesta ou naquela área, o diplomata precisa, antes de tudo, estar disposto a encarar os desafios que a carreira impõe. Se mudar de país a cada período de dois a três anos não faz parte dos planos, talvez não seja a opção ideal. Outro ponto importante é necessidade de estudar vários idiomas, para desempenhar bem a função de representar o Brasil em um país com língua e cultura diferentes.

“Ao longo de sua carreira, o diplomata tende a trabalhar em áreas diversas, junto a diferentes países, em situações de pressão, valendo-se de idiomas diferentes”, explica Tanguy Cunha Baghdadi, que coordena a área pedagógica do Clio, preparatório para carreira diplomática do Damásio Educacional. Por isso, é necessário ter em mente que essas serão as exigências da trajetória profissional de um diplomata e se preparar para elas.

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Como se tornar um Diplomata?

Existem atualmente cerca de 1500 diplomatas defendendo os interesses do Brasil no exterior. Todos eles têm uma coisa em comum: a aprovação
no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD). Realizado anualmente pelo Instituto
Rio Branco, o CACD é considerado o concurso público mais concorrido do Brasil. A cada ano, entre 5 e 7 mil candidatos disputam as cerca de 30 vagas que dão acesso ao cargo de Terceiro Secretário (cujo salário inicial é de R$16.935,40)

O CACD é realizado anualmente. E ano após ano, muito pouco muda na forma e no conteúdo cobrado pela banca. De forma geral, a estrutura da prova apresenta uma estabilidade que permite aos candidatos à carreira de diplomata investirem em uma preparação contínua, de longo prazo e sem muitas surpresas de um ano para o outro.

Atualmente, o CACD consiste em 3 fases, envolvendo, respectivamente, prova de múltipla escolha, redação e provas dissertativas de disciplinas variadas.

Primeira Fase: Teste de pré Seleção.
Segunda Fase: Prova dissertativa de Português e Língua Inglesa
Terceira Fase: Prova dissertativa de Geografia, História do Brasil, Língua Espanhola, Língua Francesa, Noções de Direito e Direito Internacional Público, Noções de Economia e Política Internacional.


O que fazer após o CACD?

Esta semana a leitora Maiara Felipe nos enviou uma dúvida sobre o trabalho de um diplomata – que atua em situações como essa:

“Bom dia, meu nome é Maiara Felipe, tenho 15 anos e quero me formar em Relações Internacionais para depois prestar o concurso do Instituto Rio Branco que possibilita o ingresso na carreira diplomática. Minha dúvida é sobre o que irei fazer após terminar o Concurso de Admissão à Carreira Diplomática, pois gostaria de saber como é a vida de um embaixador. Quais são as atividades diárias? Qual é o horário de trabalho? Trabalha em que dias da semana? Desde já muito obrigada.”

Quando há uma situação delicada entre governos de países diferentes, como a que vimos agora, a questão é tratada como um problema de diplomacia. Mas a carreira diplomática vai além de solucionar impasses. O profissional é responsável por representar o Brasil em outras federações ou em instâncias internacionais nas mais diversas áreas: administrativa, cultural, ambiental, econômica, consular, política, entre outras. Para assegurar a diversidade de atuações e funções que cabem a um diplomata, então, qualquer pessoa que tenha ensino superior pode prestar a prova do Instituto Rio Branco, que aplica o Concurso de Admissão à Carreira Diplomática do Itamaraty – o ministério das Relações Exteriores brasileiras. Assim, é comum que o país tenha na equipe diplomática internacionalistas, médicos, jornalistas, engenheiros, administradores, economistas, historiadores.

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Outra confusão comum sobre a carreira é quanto ao cargo de embaixador. Esse é um dos mais altos postos de trabalho dentro da diplomacia, campo que tem funções hierarquizadas. Quando aprovado no concurso, o diplomata se torna, de pronto, Terceiro Secretário. E, conforme suas atividades vão se aprimorando, ele pode passar para os estágios seguintes, sendo eles, respectivamente, Segundo Secretário, Primeiro Secretário, Conselheiro, Ministro de Segunda Classe, e Ministro de Primeira Classe. Este último pode, enfim, ser indicado pelo presidente da República para assumir as cadeiras de Embaixador ou de Cônsul-Geral.

Quem esclarece essa e outras dúvidas da Maiara para o BemFormado é Hayle Gadelha, que, atualmente, trabalha como Segundo Secretário em Londres com a promoção da cultura brasileira no Reino Unido. Hayle estudou Administração na faculdade, é mestre em diplomacia e faz doutorado em História da Arte – olha só como o diplomata é um profissional multidisciplinar! – e conta que, antes de iniciar sua carreira, o candidato selecionado pelo exame de admissão passa por um curso de formação no Instituto Rio Branco.

Confira seu depoimento!

Hayle Gadelha, diplomata adido cultural do Brasil no Reino Unido:

“Oi, Maiara! Em primeiro lugar, estudar Relações Internacionais é um bom caminho, mas não o único para tornar-se diplomata. Na verdade, qualquer graduação em nível superior permite o ingresso na carreira diplomática. Eu, por exemplo, sou formado em Administração, mas tenho colegas médicos, engenheiros, arquitetos, filósofos.

O concurso de admissão é bastante rigoroso – um dos aspectos mais interessantes do exame, mas que também o torna especialmente difícil, é a variedade de matérias que ele compreende: de História e Geografia a Direito e Economia, passando pelas línguas e pelas Relações Internacionais, entre outras disciplinas.

O candidato aprovado no concurso – que costuma ser realizado anualmente – é nomeado Terceiro Secretário, o primeiro degrau da carreira, que é conhecida por ser tradicionalmente hierárquica. Antes de iniciar suas funções, o diplomata passa por curso de formação no Instituto Rio Branco, em Brasília, de onde é alocado em alguma das várias divisões e departamentos do Ministério das Relações Exteriores, mais conhecido como Itamaraty.

Nesse momento, fica evidente uma das principais características da carreira diplomática: a diversidade de áreas de atuação. Entre as muitas, menciono as temáticas (comércio, meio ambiente, cultura, finanças, energia etc); geográficas ou políticas; administrativa; consular; e cerimonial.

Como se percebe, é enorme a variedade de funções exercidas pelos diplomatas; e, portanto, difícil descrever suas atividades diárias.

No meu caso, iniciei a carreira no Departamento da América do Sul, onde acompanhei o relacionamento entre o Brasil e os seus vizinhos, em temas tão diversos quanto à construção de infraestrutura para conectá-los ou a segurança nas fronteiras. Trabalhei, ainda, com a cooperação entre os países da região para o desenvolvimento da Amazônia, que se tornou objeto da minha dissertação de mestrado.

Em seguida, fui enviado para Pequim, onde, por três anos, chefiei o setor comercial da Embaixada, buscando aumentar e diversificar os fluxos de comércio e investimento entre o Brasil e a China. Hoje, exemplificando a versatilidade exigida do diplomata, sou o Adido Cultural do país em Londres, e minha tarefa é promover nossa cultura e expressões artísticas aqui no Reino Unido.

Por ser uma carreira de Estado, trabalhamos em regime de dedicação integral, devendo estar disponíveis sempre que formos solicitados. Além de minha rotina diária e intensa na Embaixada, acabo participando de muitos eventos culturais fora do horário regular, em razão do cargo que aqui ocupo.

Atualmente, sou Segundo Secretário, o grau seguinte ao de Terceiro Secretário. Os próximos passos da hierarquia diplomática são Primeiro Secretário; Conselheiro; Ministro de Segunda Classe; e Ministro de Primeira Classe.

Aqueles que alcançam o topo da carreira costumam ser indicados pelo Presidente da República ao cargo de Embaixador – seu representante junto a outros países – ou de Cônsul-Geral, que assiste os brasileiros no exterior e lida com as viagens de estrangeiros ao Brasil.

Finalmente, devo dizer que além de possibilitar-me servir ao interesse público e ao desenvolvimento nacional, a diplomacia permite experiências muito diferentes, pois nós diplomatas passamos a maior parte da vida fora do Brasil, aprendendo sobre outras culturas e sobre como o contato com elas pode resultar em benefícios sociais, políticos e econômicos para o nosso país.”

Fonte: Bemformado.com.br

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