A importância do profissional da psicologia nos dias de hoje

No dia 27 de agosto é comemorado no Brasil o Dia do Psicólogo. A data é uma homenagem a todos os profissionais que trabalham nesta área. São eles os responsáveis por realizar o estudo da mente e do comportamento dos indivíduos.

E é dentro desse universo que estão as doenças de desordem mental que, devidas às proporções, já afetam 1/4 da população mundial: transtornos de ansiedade, de personalidade, bipolar, obsessivo-compulsivo, depressão, entre outras, podendo chegar ao suicídio.

De um modo geral, existe a impressão de que houve um aumento no número de casos de transtornos psicológicos diagnosticados nas últimas décadas e há quem atribua parte desse aumento ao mau uso da tecnologia e das redes sociais.

Para o psicólogo e psicanalista Diogo Bonioli, 37, isso é um equívoco. “O suicídio, por exemplo, já foi estudado por Durkheim em 1897 e naquela ocasião não existiam nem tecnologias e nem redes sociais. Os dados empíricos apontam que a rapidez do desenvolvimento social implicaria em um processo de não sentir-se adaptado e isso resultaria no suicídio, independente das redes tecnológicas”.

Outro mito, desta vez envolvendo a profissão e a psicoterapia em si, segundo Bonioli, é a cultura “fast food” e do “rapidinho”.

“A psicoterapia não funciona na velocidade dos remédios e nem os resultados dos produtos oferecidos nas propagandas da TV. A lógica da saúde mental não dá espaço para curativos, paliativos ou remendos, pois as divisões pertencem ao mundo natural. Para o aparelho psíquico, as divisões são apenas didáticas, pois quem está doente não é uma parte de você, mas você”, explica.

Outra grande dúvida popular a respeito da Psicologia é a abordagem de temas delicados como depressão e suicídio na mídia. Em 2017, a série 13 Reasons Why levantou debates sobre o tema suicídio entre adolescentes. Recentemente, o assunto veio à tona novamente com a morte de uma blogueira digital que teria sido abandonada no altar e sofria de depressão.

Para a psicóloga Camilla Diniz, 30, é preciso desmistificar a ideia de que falar sobre suicídio aumenta sua incidência.

“Pelo contrário, falar sobre isso e mostrar às pessoas que falar sobre seus problemas, angústias e medos, ajuda a lidar com essas questões. A depressão é o transtorno psiquiátrico de maior prevalência entre os casos de suicídio. A melhor forma de abordar o assunto é conscientizando a sociedade da necessidade de falar sobre o que sente, de buscar ajuda para entender seus sentimentos quando julgar necessário, quebrar tabus, julgamentos e preconceitos, sempre levando informação e promovendo o acolhimento às pessoas que precisam. A campanha Setembro Amarelo é um trabalho muito importante a respeito da prevenção do suicídio”, esclarece.

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Um universo tão misto quanto necessário

Tão variadas quanto as doenças e seus tratamentos, são as linhas teóricas existentes dentro da Psicologia. E é comum que o profissional em Psicologia escolha sua abordagem no 8º período da universidade, momento em que escolhe o seu estágio na clínica-escola.

Segundo Diogo Bonioli, todas as abordagens teóricas da Psicologia, quando devidamente validadas pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP), são completas e funcionais para todos os sintomas psicopatológicos e formas de tratamento psicoterápico.

“As abordagens não são escolhidas de acordo com a psicopatologia do paciente, mas de acordo com o modo que o terapeuta tem de ver a personalidade do ser humano. Atualmente, vemos os pacientes escolhendo as abordagens de sua ‘preferência’, porém, nesta escolha pode-se encontrar as influências da resistência, da simpatia do terapeuta e da indicação, mas em hipótese nenhuma, ninguém pode dizer que uma é melhor aplicada para isso ou aquilo”, explica.

O tempo de cada tratamento também varia

“Os efeitos da terapia vão depender de cada caso, mas os resultados não costumam ser imediatos, porém, de maneira geral, seis meses é um tempo no qual se espera que algum tipo de melhora aconteça”, explica Camilla Diniz.

Ainda existe preconceito?

Quem nunca ouviu a máxima “Não vou procurar terapia porque não estou doido!” Infelizmente, o preconceito ainda existe quanto à eficácia dos tratamentos de psicoterapia para os males da mente. Há, ainda, o preconceito com relação aos próprios transtornos.

“Existem muitas pessoas que acreditam que psicoterapia é coisa de louco, mas na verdade qualquer pessoa pode buscar psicoterapia. Até quem não tem um problema manifesto pode buscar ajuda do psicólogo para auxiliar em seu autoconhecimento, em questões do dia-a-dia, que geram ansiedade, angústias e medo, além de problemas de relacionamento, familiar e até mesmo de trabalho”, esclarece Camilla Diniz.

“Para pessoas que pensam assim eu costumo responder: ‘vai ao psicólogo quem não quer enlouquecer’ ou, quando sou interpelado que os pais ou os avós nunca precisaram, utilizo do humor para dizer a verdade, ‘justamente porque eles nunca foram é que você está aqui'”, completa Diogo Bonioli.

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Mulheres procuram mais terapia do que os homens

Dados mostram que a busca de atendimento, atualmente, está mais equilibrada no tocante ao gênero do que décadas atrás. No entanto, mulheres ainda procuram mais a terapia do que os homens.

“A explicação está no machismo estrutural tão enraizado na nossa sociedade, onde o homem que é visto falando dos seus sentimentos é julgado como menos másculo, menos viril, menos homem”, explica a psicóloga.

“O fato de a mulher se preocupar mais com a saúde do que o homem já é uma evidência, mas não podemos nos esquecer os anos de sofrimento solitário das mulheres e submissões à violências que hoje conhecemos os frutos até nos netos desta vítimas”, acrescenta Bonioli.

Esgotamento profissional figura na lista dos males da mente

Profissionais das áreas de educação, saúde, assistência social, recursos humanos, agentes penitenciários, bombeiros, policiais e mulheres que enfrentam dupla jornada correm grande risco de desenvolver o transtorno que hoje leva o nome de Síndrome de Burnout.

A síndrome de burnout, ou síndrome do esgotamento profissional, é um distúrbio psíquico descrito em 1974 por Freudenberger, um médico americano, é se caracteriza pelo estado de tensão emocional e estresse provocado por condições de trabalho desgastantes.

O primeiro passo para quem é diagnosticado com essa síndrome é reconhecer o problema.

“É preciso reconhecer que a estratégia adotada para atuar com as exigências e as responsabilidades do trabalho estão falidas e o sucesso não acontecerá nem na saúde mental e nem nas metas que foram estabelecidas. O pior deste cenário muito comum é que as pessoas acabam sendo substituídas nas empresas, e os danos da saúde mental se tornam mais resistentes às terapias”, informa Diogo Bonioli.

Camilla Diniz explica que a diferença entre uma simples fadiga e a síndrome é que a fadiga diz respeito ao cansaço físico e a fatores biológicos.

Psicóloga e atleta, Camilla Diniz explica que a prática de atividades físicas ajuda a amenizar os sintomas de doenças da mente | Foto: Divulgação

“Na síndrome de Burnout há um esgotamento mental, esgotamento profissional. O primeiro passo é procurar ajuda profissional, podendo ser um psicólogo ou um psiquiatra. O segundo passo seria realizar atividades físicas regulares para ajudar no controle dos sintomas”, conta.

Precisamos falar sobre o autismo

A psicologia tem sido essencial na vida do casal Robson e Alessandra Corrêa, cujo filho, Hugo, de 6 anos, foi diagnosticado com autismo. Para eles, o tratamento psicológico ajuda e muito na compreensão do comportamento do filho, tanto na vida pessoal quanto na escolar.

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“A psicologia tem que estar presente sempre na vida do autista. O tratamento é fundamental. Houve uma fase em que o Hugo começou a chorar na escola, então a psicóloga me procurou para saber como estava sendo o tratamento dele fora da escola. Ou seja, trabalhamos todos em equipe. Quando ele está na escola e não quer fazer os deveres, ele vai para a sala da psicóloga e fica conversando até que se sinta melhor para retornar”, explica o pai.

O técnico de enfermagem, Robson, conta, ainda, que o filho sempre fica muito empolgado quando é dia da consulta. “Gera até uma ansiedade no dia anterior à consulta. Quando ele acorda, a primeira coisa que diz é ‘Mamãe, hoje tem tia Carol. Vamos, mamãe! Não podemos nos atrasar’. Ele faz questão de ir, vai e volta feliz da vida, contando tudo o que fez. Como a consulta dele é sempre às quartas-feiras, deixamos o dia livre para levarmos o Hugo ao tratamento dele. Até brincamos dizendo que é o Dia do Hugo”, completa Robson, que também é pai da Alana, gêmea do Hugo.

Onde procurar atendimento

Todas as Unidades Básicas de Saúde do município de São Gonçalo contam com atendimento de psicólogo gratuito do Núcleo de Apoio a Saúde da Família (Nasf).

Há também as opções de terapia a baixo custo, como a Clínica Albacete, com psicólogos recém formados e estagiários da área.

Em São Gonçalo, a clínica fica na Rua Coronel Rodrigues, 422, sala 11, no centro de São Gonçalo. Já em Niterói, há atendimentos em Icaraí (Rua Gavião Peixoto, 70, sala 1507) e em Itaipu (Estrada Francisco da Cruz Nunes, 2505, sala 208).

O Instituto de Psicologia da UFF, em Niterói, também oferece o serviço. O atendimento é realizado por estagiários do curso de Psicologia. O endereço é Rua Prof. Marcos Waldemar de Freitas Reis, Bloco N, Gragoatá, Niterói. Na Universidade Salgado de Oliveira (Universo), o Núcleo de Psicologia Aplicada (NPA) também oferece atendimento psicoterapêutico para a comunidade carente das cidades de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá e Rio Bonito. O endereço é Rua Marechal Deodoro, 217, 7º andar, no Bloco C.

Fonte: Jornal O São Gonçalo

1 comentário em “A importância do profissional da psicologia nos dias de hoje”

  1. Ótimo conteúdo. É lamentável ver como a sociedade tem tarjado os profissionais que cuidam do nosso “EU PSICOLÓGICO”. Jovens com transtornos na transição de adolescente/adulto, pessoas que por causa de trabalho e relacionamentos estão com os nervos no limite. A falta de inclusão também tem assombrado a população, o povo no geral encontra muita dificuldade para buscar informações de referencia se tratando de autismo.

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